Críticas

Crítica: “The Revenant – O Renascido”

The Revenant – O Renascido” conta a história de Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) que faz parte de um conjunto de homens que procura colecionar peles nas colónias dos EUA e vender a bom preço. No entanto estes homens sofrem retaliações dos nativos destas colónias, devido ao facto de o seu território estar a ser ocupado por desconhecidos. Glass teve um filho com uma nativa dos EUA chamado Hawk, no século XIX. Sendo um filho de uma nativa, Hawk partilhava os mesmos traços físicos caraterísticos da tribo da sua mãe Hawk era ostracizado pelos homens da expedição a que Glass pertencia. Certo dia ambos partem em mais uma expedição em busca de peles para fazer negócio. Glass define os caminhos da expedição, uma vez que é o único que conhece o território. Apesar disso, este é barbaramente atacado por um urso, deixando-o gravemente ferido. Perante a impossibilidade de prosseguir viagens, Hawk (Forrest Goodluck) e mais dois colegas, Fitzgerald (Tom Hardy) e Bridger (Will Poulter) oferecem-se para ficar com Glass enquanto que os restantes elementos da expedição seguem viagem em direção ao seu forte para escaparem à perseguição dos nativos. Fitzgerald tenta matar Glass para não perderem mais tempo e juntarem-se à expedição. Hawk descobre os seus intentos mas Fitzgerald mata-o mesmo em frente de Glass que não se consegue mexer dada a gravidade dos seus ferimentos, ao mesmo tempo que o abandona. Perante isto Glass faz de tudo para se vingar de Fitzgerald que lhe roubou o amado filho.

A primeira meia-hora é de grande intensidade, prendendo de imediato o espetador. Acontecem muitas coisas, mas as cenas estão evidamente compartimentadas, mantendo o entusiasmo.

Em termos técnicos este filme é impressionante. Destacamos o facto de nesta fita ter sido produzida com recurso a luz natural o que sujeitou os atores a um ambiente extremos, nomeadamente as baixas temperaturas que devem ter sentido. Se o objetivo era fazer com que a audiência senti-se toda a envolvência das paisagens que o filme proporciona, na nossa opinião, foi conseguido. No fundo o filme trata-se da capacidade de superar obstáculos e é curioso como Alejandro Iñarritu submeteu os atores a condições extremas o que fez com que estes se superassem e tivessem um desempenho caracterizado por um assinalável realismo.

De salientar a cena que marcou o filme em termos técnicos, a luta entre Glass e o urso selvagem. É de um realismo impressionante, foi tudo tratado ao detalhe. A movimentação do animal foi de tal forma realista que o próprio espetador sente a sua impunência de tamanha besta. Nesta cena à que realçar a interpretação de DiCaprio que retratou o contraste entre a pequenez do homem e a força da natureza.

Este filme retratou um problema que afeta todo o mundo. O facto de ser os homens serem diferentes. A diferença entre os invasores e os nativos norte-americanos quer seja pela cor da pele, costumes ou credos é que está na base deste filme. Este trabalho mostrou também que essas diferenças são perfeitamente ultrapassáveis, com o amor entre Glass e a nativa norte-americana do qual nasceu Hawk.

Relativamente à interpretação, uma vez mais Leonardo DiCaprio não nos deixou ficar mal. O seu desempenho foi bastante positivo, demonstrando bem o sofrimento de perder um filho e os tormentos que assolam a alma perante tamanha dor. Destaque ainda para a expressão facial que muitas vezes espelhava a sede de vingança que o seu personagem exigia. Tom Hardy também foi uma agradável surpresa, no papel de antagonista da história. O ator britânico está a consolidar o seu lugar na categoria de melhores atores de Hollywood.

Será que é desta que DiCaprio leva o Óscar para casa?

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