Quatro filmes. Um génio. Uma tarde e noite que não vais querer desperdiçar no sofá a fazer scroll.
Se há um realizador que transformou a ficção científica em arte com maiúscula nas últimas décadas, esse é Denis Villeneuve. O canadiano que nos deu Dune, Blade Runner 2049 e O Primeiro Encontro tem uma maratona especial este sábado, dia 4 de abril, a partir das 14h45 no TVCine Edition — e também disponível no TVCine+. Quatro filmes, um após o outro, que juntos somam mais de uma dúzia de Óscares. Prepara as pipocas com antecedência.
O programa começa com O Primeiro Encontro (2016), onde Amy Adams interpreta uma linguista convocada para decifrar a comunicação de uma nave alienígena. Oito nomeações aos Óscares, um prémio ganho, e uma das experiências mais emocionalmente devastadoras da ficção científica recente. Às 16h40 chega Blade Runner 2049 (2017) — a sequela que toda a gente duvidou que fosse funcionar e que acabou por ser visualmente de partir a boca. Ryan Gosling, Harrison Ford, Ana de Armas e dois Óscares no bolso.
Às 19h20 é hora do épico interplanetário: Dune — Parte Dois (2024), com Timothée Chalamet e Zendaya numa aventura que confirma Villeneuve como o maior contador de histórias em grande escala do cinema actual. E para fechar a noite com chave de ouro, às 22h00, o mais íntimo e perturbador de todos: Incendies — A Mulher que Canta (2010), um drama brutal sobre guerra, memória e segredos de família que foi nomeado ao Óscar de Melhor Filme Internacional e que vai ficar a ecoar na tua cabeça durante dias.
De desastre nas salas a fenómeno global no streaming
Há filmes que morrem nas bilheteiras. E depois há aqueles que ressuscitam no streaming. Tron: Ares encaixa perfeitamente na segunda categoria.
Produzido com um orçamento estimado em 220 milhões de dólares, o novo capítulo da lendária saga de ficção científica revelou-se um duro golpe para a The Walt Disney Company quando passou pelos cinemas. As receitas ficaram muito aquém do esperado, acumulando pouco mais de 142 milhões de dólares a nível mundial e gerando prejuízos que terão ultrapassado os 130 milhões.
Mas eis que, poucos meses depois, o cenário muda radicalmente: o filme tornou-se o título de ficção científica mais visto no Disney+ em 56 países, alcançando o primeiro lugar em múltiplos mercados. Um fenómeno curioso que levanta uma questão inevitável — será que o público precisava apenas do ecrã certo?
Uma aposta arriscada… desde o início
A verdade é que a saga Tron nunca foi um colosso de bilheteira. O original, Tron, tornou-se um clássico de culto sobretudo pelo seu pioneirismo visual, mas não foi um fenómeno comercial. A sequela, Tron: Legacy, chegou 28 anos depois e também não incendiou as receitas globais, apesar da ambição estética e da memorável banda sonora dos Daft Punk.
Com Tron: Ares, a Disney voltou a arriscar forte, entregando o protagonismo a Jared Leto e investindo numa produção visualmente imponente. Ainda assim, os sinais de alerta estavam lá: uma franquia com histórico irregular e um orçamento digno de um blockbuster garantido.
O resultado foi um fracasso retumbante nas salas de cinema, agravado por críticas mornas. No Rotten Tomatoes, o filme apresenta uma taxa de aprovação de 53%, reflectindo uma recepção longe de entusiástica.
O último capítulo da saga?
Com números tão frágeis nas bilheteiras, tudo indica que Tron: Ares poderá marcar o fim da saga no grande ecrã. É certo que o universo Tron já provou ser resiliente — houve 28 anos entre o primeiro filme e a sua sequela, e 15 até este novo capítulo — mas, do ponto de vista financeiro, torna-se difícil justificar um novo investimento desta dimensão.
Poderá a Disney optar por um remake no futuro? Ou transformar o conceito numa série para streaming, onde parece encontrar agora um público mais receptivo?
Para já, o sucesso no Disney+ prova que há interesse na estética neon, nos mundos digitais e nas batalhas entre humanos e inteligências artificiais. Talvez o problema nunca tenha sido a história, mas sim o palco onde foi apresentada.
Trailer revelado no Super Bowl mostra missão impossível, amizade improvável e ficção científica com coração
O Super Bowl voltou a servir de montra privilegiada para o grande cinema — e desta vez foi a Amazon MGM Studios a aproveitar o momento para revelar o novo trailer de Devoradores de Estrelas, a aguardada adaptação do romance de Andy Weir que coloca Ryan Gosling no centro de uma missão desesperada para salvar a Terra.
Baseado no livro homónimo do autor de Perdido em Marte, o filme acompanha Ryland Grace, um professor de ciências que acorda sozinho numa nave espacial, sem memória de quem é — ou de como ali chegou. Pouco a pouco, percebe que foi enviado numa missão suicida: descobrir a origem de um fenómeno cósmico que está a provocar o colapso energético do Sol… e de todas as estrelas semelhantes no Universo conhecido.
Se falhar, a Humanidade extingue-se.
Uma missão solitária… até deixar de o ser
O novo trailer introduz finalmente uma das figuras mais aguardadas pelos leitores do livro: Rocky, uma criatura alienígena que Ryland Grace encontra algures no espaço profundo. Longe de ser uma ameaça, Rocky revela-se um aliado improvável, enfrentando exactamente o mesmo problema — o fenómeno que ameaça a Terra está também a destruir o seu planeta.
Com a voz dobrada por James Ortiz, Rocky torna-se rapidamente o coração emocional do filme. A relação entre os dois personagens, construída com base na cooperação, curiosidade científica e comunicação improvável, promete ser o grande trunfo da adaptação cinematográfica.
Como explicou um dos realizadores, “esta é uma história sobre colaboração e sobre aquilo que é possível alcançar quando trabalhamos juntos, mesmo quando viemos de mundos completamente diferentes”.
Ficção científica com humor, emoção e escala
A realização de Devoradores de Estrelas está a cargo de Phil Lord e Christopher Miller, a dupla responsável por projectos tão distintos como Anjos da Lei e a trilogia Aranhaverso. Este é o primeiro projecto live-action que realizam desde 2014, depois de uma década de enorme sucesso na animação.
O argumento foi escrito por Drew Goddard, que já tinha adaptado Andy Weir em Perdido em Marte, outro caso exemplar de ficção científica centrada na ciência, na persistência humana e numa inesperada leveza de tom.
Apesar do orçamento elevado — cerca de 150 milhões de dólares —, tudo indica que Devoradores de Estrelas não será apenas um espectáculo visual, mas também uma história profundamente humana, onde o humor surge como mecanismo de sobrevivência emocional num cenário absolutamente extremo.
Um passado turbulento… e um regresso em força
Antes deste filme, Lord e Miller tinham sido inicialmente contratados pela Disney para realizar Solo: Uma História Star Wars, mas acabaram afastados do projecto, substituídos por Ron Howard. Devoradores de Estrelas representa, assim, uma espécie de redenção em grande escala no cinema live-action, agora com total controlo criativo.
O elenco inclui ainda Sandra Hüller, Ken Leung, Milana Vayntrub e Lionel Bryce, numa produção assinada por nomes de peso como Amy Pascal, o próprio Gosling e Andy Weir.
Quando estreia Devoradores de Estrelas?
A Amazon MGM confirmou que Devoradores de Estrelas chega aos cinemas em Março, com estreia internacional marcada para 20 de Março de 2026 em vários territórios. A data exacta para Portugal deverá alinhar-se com essa janela, faltando apenas confirmação oficial da distribuição nacional.
Até lá, o trailer deixa uma certeza: estamos perante um dos grandes filmes de ficção científica do ano — não apenas pelo espectáculo espacial, mas pela promessa de uma história onde a ciência, a amizade e a empatia podem, literalmente, salvar o Universo.
Disclosure Day junta Emily Blunt e Josh O’Connor num thriller de ficção científica sobre o momento em que deixamos de estar sozinhos
Há regressos que parecem inevitáveis. Sempre que Steven Spielberg decide olhar novamente para o céu, o cinema pára para escutar. Durante o Super Bowl, a Universal Pictures revelou o novo trailer de Disclosure Day, um thriller de ficção científica que promete recuperar uma das obsessões centrais do realizador: o contacto com o desconhecido — e as consequências emocionais, políticas e humanas desse momento.
O trailer não perde tempo a criar inquietação. Entre imagens de pânico contido, transmissões televisivas interrompidas e uma sequência particularmente impressionante em que duas personagens saltam de um comboio em andamento, o filme coloca uma pergunta simples e perturbadora: se alguém provasse que não estamos sozinhos no Universo, isso tranquilizar-nos-ia… ou destruir-nos-ia?
Emily Blunt interpreta uma meteorologista de Kansas City que vê a sua vida — e a normalidade do mundo — colapsar durante uma emissão em directo, quando é subitamente dominada por uma força extraterrestre inexplicável. O trailer sugere que este momento será o gatilho para uma cadeia de acontecimentos globais, onde a verdade deixa de poder ser escondida.
Ao seu lado surge Josh O’Connor, no papel de um crente obstinado na existência de vida alienígena, determinado a expor aquilo que governos e instituições tentaram manter em segredo. A dinâmica entre os dois parece assentar num contraste clássico do cinema de Spielberg: o cepticismo quotidiano confrontado com o extraordinário.
O elenco reforça a ambição do projecto, contando ainda com Colin Firth, Colman Domingo, Eve Hewson, Wyatt Russell e Henry Lloyd-Hughes.
Spielberg regressa ao território que melhor domina
Disclosure Day marca o 37.º filme realizado por Spielberg desde a sua estreia, em 1964, e insere-se claramente na linhagem das suas grandes obras de ficção científica. Ao longo da carreira, o realizador explorou o tema do contacto extraterrestre sob múltiplas perspectivas: o espanto quase espiritual de Encontros Imediatos do Terceiro Grau, a ternura de E.T. – O Extraterrestre ou o terror urbano de Guerra dos Mundos.
Aqui, o tom parece mais próximo de um thriller contemporâneo, ancorado no medo colectivo, na desinformação e na reacção em cadeia de um mundo hiperconectado. O argumento foi desenvolvido em colaboração com David Koepp, parceiro habitual de Spielberg em títulos como Jurassic Park, O Mundo Perdido e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal.
Depois de The Fabelmans, um novo olhar para o desconhecido
Após o intimista The Fabelmans, um drama semi-autobiográfico sobre a sua infância e o nascimento do amor pelo cinema, Spielberg regressa agora a um cinema mais expansivo e especulativo. Se The Fabelmans olhava para o passado, Disclosure Day parece olhar directamente para o futuro — e para o momento exacto em que a Humanidade perde o privilégio da ignorância.
A frase-chave do trailer resume bem a ambição do filme: “Este Verão, a verdade pertence a sete mil milhões de pessoas.”Não é apenas uma revelação científica. É uma mudança de paradigma.
O confronto entre visão artística, turbulência nos bastidores e genialidade improvisada que transformou um fracasso incompreendido numa obra-prima absoluta.
Quando Philip K. Dick entrou no set de Blade Runner, em 1981, não encontrou apenas uma adaptação do seu romance. Encontrou o futuro. O autor, tantas vezes desconfiado de Hollywood, viu ali algo raro: uma distopia que não traía a sua imaginação — a materializava. Ao observar Harrison Ford como Rick Deckard, Dick reconheceu imediatamente o homem que escrevera: “Ele foi mais Deckard do que eu imaginava.” Aquele cenário de chuva ácida, néons filtrados por poluição eterna e angústia urbana condensava na perfeição a paranoia existencial que sempre habitara a sua obra. O escritor, céptico por natureza, acreditou na ilusão.
Mas essa visão não nasceu sem sangue, suor e muita tensão. O realizador Ridley Scott, ainda marcado por Alien, enfrentou um set que beirava o insuportável — física e emocionalmente. O ambiente, saturado de fumo, iluminação agressiva e dias exaustivos de rodagem noturna, era quase uma extensão do próprio filme. E Scott, obsessivo na procura do detalhe perfeito, exigia tanto do elenco quanto exigia de si próprio.
A relação com Ford azedou rapidamente: discussões, silêncios profundos e uma fricção que hoje é tão parte da história de Blade Runner quanto a chuva incessante da Los Angeles futurista. A ironia? A exaustão genuína do actor tornou-se combustível perfeito para a apatia fatigada de Deckard.
Enquanto Scott travava guerras emocionais, dois artistas redefiniam a paisagem visual da ficção científica. Syd Mead, inicialmente contratado apenas para desenhar veículos, acabou por dar forma ao mundo inteiro. As ruas labirínticas, os edifícios monumentais, os anúncios luminescentes: tudo surgiu da sua obsessão pelo futuro possível — não pelo fantástico, mas pelo plausível.
Já Jordan Cronenweth, director de fotografia, pintava com sombras e luzes como se antecipasse o noir do século XXI. Fê-lo enquanto lutava contra o avanço da doença de Parkinson, que meses mais tarde o levaria a uma cadeira de rodas. As imagens que criou — tristes, belas, devastadoras — são hoje inseparáveis da identidade do filme. Cada plano parece suspenso no tempo, como se também ele questionasse a fronteira entre o humano e o artificial.
E no centro de toda esta tempestade, Rutger Hauer. Contratado sem sequer conhecer Scott, surgiu no primeiro encontro com um suéter de raposa estampada e óculos de sol verde. O realizador quase perdeu a cor. Mas Hauer estava ali para redefinir Batty, não para o personificar de forma literal.
O momento decisivo veio no lendário monólogo final. Incomodado com o texto original, demasiado pesado, reescreveu-o na véspera da filmagem. Da sua caneta nasceu:
“All those moments will be lost in time, like tears in rain.”
Um dos adeuses mais belos da história do cinema, selado pela pomba que ele próprio sugeriu libertar.
Quando Blade Runner estreou, perdeu a corrida pública para E.T. e o estúdio, nervoso com a recepção morna, interveio de forma desastrada. Impôs uma narração explicativa de Ford e um final “feliz” composto por imagens rejeitadas de O Iluminado. O filme, fragmentado e mal compreendido, parecia destinado a desaparecer.
Mas tal como os replicantes ansiavam por “mais vida”, também Blade Runner recusou morrer. Uma cópia perdida revelou ao mundo o filme que Scott tinha realmente feito. Nascia então o Director’s Cut — e, décadas depois, o Final Cut. A obra renasceu, tornou-se culto, depois cânone, e hoje é citada como a pedra angular da ficção científica moderna.
No fim, aquele set caótico, carregado de fumo, rancores, improvisos e génio acidental produziu algo maior do que a soma das suas partes — um universo onde cada plano respira humanidade, mesmo quando os seus habitantes questionam o que isso significa.
Blade Runner sobreviveu, transformou-se e ensinou-nos algo precioso:
até as distopias mais sombrias podem iluminar o cinema.
Christopher Nolan pode estar no mar com The Odyssey, mas quem anda a correr — literalmente — para redefinir a ficção científica distópica é Edgar Wright. O realizador britânico, mestre da energia cinética e dos filmes cheios de alma, está prestes a lançar a nova adaptação de The Running Man, e numa longa conversa revelou detalhes deliciosos sobre o processo, a colaboração inesperada com Stephen King, e até o motivo (bem-humorado e duplamente meta) para incluir Arnold Schwarzenegger numa espécie de cameo presidencial.
Em 2017, Wright respondeu a um tweet casual dizendo que The Running Man era o remake que mais gostaria de fazer. Era quase uma nota de fã, um comentário solto. Mas Simon Kinberg não se esqueceu.
Anos depois, quando a oportunidade surgiu, ofereceu-lhe o projeto.
Wright tinha lido o livro original — assinado por King sob o pseudónimo Richard Bachman — aos 14 anos. Estava proibido de ver o filme de 1987 nos cinemas britânicos (classificação para maiores de 18), e quando finalmente o viu, percebeu que quase nada do que o tinha fascinado no livro estava no ecrã. A semente ficou plantada: um dia, alguém teria de adaptar The Running Man “a sério”.
Agora, esse alguém é ele.
Stephen King: o pen pal improvável e o crítico mais temido
O detalhe delicioso é que Wright e King já tinham uma relação engraçada de “amigos por email”.
Tudo começou quando o escritor elogiou Shaun of the Dead — um elogio tão improvável que, para Wright, foi como ganhar um Óscar secreto.
Durante anos trocaram mensagens sobre… música.
Wright enviava-lhe vinis de aniversário, falavam sobre bandas psicadélicas, guitarras, rock alternativo. Quase nunca sobre cinema.
E, por isso mesmo, Wright evitava falar de The Running Man.
Se o filme não avançasse, não queria ser “o rapaz que grita lobo”.
Só quando a adaptação estava finalmente a ganhar forma é que enviou o email:
“Como provavelmente já sabes, estou a trabalhar em The Running Man desde 2022”, escreveu, entre risos.
King tinha de aprovar dois elementos cruciais:
a escolha do actor principal,
e alterações estruturais ao enredo.
Wright mandou-lhe um link privado de Hit Man, o filme que Glen Powell co-escreveu e protagoniza.
King viu — e aprovou imediatamente.
Quando finalmente assistiu ao filme, enviou a Wright um email com o assunto escrito em maiúsculas:
“WOW.”
E depois deixou o elogio que qualquer cineasta sonharia ouvir:
“É suficientemente fiel ao livro para deixar os fãs felizes, mas diferente o bastante para me entusiasmar.”
Schwarzenegger no dinheiro… e uma piscadela ao Demolition Man
Embora esta nova versão seja uma adaptação muito mais fiel ao livro do que o filme de 1987, Wright não quis ignorar os fãs do clássico de Arnie.
Assim, há um cameo subtil — mas brilhante:
no futuro distópico de Wright, existe uma nota de 100 dólares com o rosto do Presidente Schwarzenegger.
É ao mesmo tempo:
uma homenagem ao filme de 1987,
e um trocadilho cinéfilo com Demolition Man, onde se menciona que Arnold se tornou Presidente dos EUA.
É esse humor lateral, quase invisível, que separa Wright de tantos outros realizadores do género.
A versão de Wright: mais tensa, mais humana, mais King
Se o filme original transformava Ben Richards num herói musculado, Wright regressa às origens.
Nesta versão, Richards — interpretado por Glen Powell — é um homem comum, esmagado por um sistema corporativo distópico que controla a televisão, o dinheiro e até as narrativas públicas.
A história segue-o sempre na primeira pessoa, tal como o livro.
Não há cenas que ele não testemunhe, não há manipulação da perspectiva — o público acompanha-o tal como acompanha um competidor num reality show mortal.
É uma abordagem mais íntima, mais claustrofóbica, mais imersiva.
O toque Mission: Impossible
Há um detalhe delicioso que liga este projeto à saga Mission: Impossible:
Glen Powell, mal recebeu o papel, fez a mesma coisa que qualquer fã faria.
Ligou ao Tom Cruise.
Perguntou-lhe apenas isto:
“Como é que se corre bem para a câmara?”
É maravilhoso imaginar Tom Cruise a dar masterclasses de corrida cinematográfica — mas faz sentido. Powell queria fazer o máximo de acrobacias possível sem recorrer a duplos, e Wright abraçou essa filosofia.
Um filme sem rede de segurança
Wright revelou ainda que quase não teve sessões de teste com público. O filme foi montado numa corrida contra o tempo, com semanas de trabalho de 16 horas, sempre sem margem para falhas.
A equipa via o filme como um todo apenas ocasionalmente, em sessões internas no pequeno cinema ao lado da sala de montagem.
Era um processo austero, tenso, mas necessário para fazer o filme que Wright imaginou aos 14 anos.
Um remake? Não. Uma nova leitura.
Wright diz que evita chamar “remake” ao projeto porque isso não captura o que realmente fez:
“O livro nunca foi adaptado a sério. Havia outro filme possível — e era esse que eu queria fazer.”
Para ele, os melhores remakes são os que reinventam, como The Fly de David Cronenberg.
Refazer por refazer é karaoke.
Recontar com alma é cinema.
Esta nova versão chega com tudo aquilo que Wright faz melhor:
energia, irreverência, estilo, inteligência visual e um amor contagiante pelo cinema.
Num futuro não muito distante, o dinheiro deixou de ser a medida de valor. Em Sem Tempo (In Time, 2011), Andrew Niccol, o realizador de Gattaca e argumentista de The Truman Show, imagina uma sociedade onde o tempo de vida é literalmente a moeda corrente. Cada pessoa tem um contador luminoso no antebraço que indica quanto tempo lhe resta. Trabalhar dá tempo; gastar, custa tempo. E quando o relógio chega a zero, o coração pára.
A ideia é tão simples quanto perturbadora: as desigualdades sociais deixaram de se medir em riqueza, mas em segundos. Os ricos vivem séculos, praticamente imortais; os pobres lutam dia após dia por mais umas horas de existência.
É neste mundo de injustiça programada que conhecemos Will Salas (Justin Timberlake), um jovem operário da zona pobre que, por acaso do destino, recebe uma fortuna em tempo. A sua nova riqueza transforma-o num alvo — e num fugitivo. Ao lado de Sylvia Weis (Amanda Seyfried), filha de um magnata que controla as “bancas do tempo”, Will decide desafiar o sistema e devolver os minutos roubados aos que vivem condenados à pressa.
Entre a ficção científica e a crítica social
Andrew Niccol constrói uma parábola moral de precisão quase matemática. O conceito do tempo como moeda é uma metáfora poderosa para o capitalismo extremo, onde cada segundo tem preço e a vida humana se transforma num bem transacionável. A estética do filme — fria, limpa, sem excessos — reforça essa sensação de artificialidade e controlo.
Sem Tempo é um daqueles filmes em que a ficção científica serve de espelho à realidade. O contraste entre os distritos miseráveis de Dayton e as luxuosas “zonas temporais” dos mais abastados lembra uma versão futurista de Metrópolis com estética retro-futurista, onde carros clássicos deslizam por ruas impecáveis enquanto, nas sombras, as massas lutam por respirar.
Performances e energia
Justin Timberlake, num dos papéis mais sérios da sua carreira, surpreende ao equilibrar vulnerabilidade e revolta. Amanda Seyfried é o contraponto ideal — fria e ingénua no início, cúmplice e ousada à medida que o filme acelera. E Cillian Murphy, como o impiedoso “guarda do tempo”, empresta à narrativa a tensão necessária para manter o público colado ao ecrã.
O ritmo do filme é constante, quase como o tique-taque de um relógio. Niccol filma perseguições elegantes, diálogos curtos e olhares carregados de urgência. Há um charme particular em ver a ficção científica tratada com esta clareza moral: aqui, a ação e a ideia correm lado a lado, sem que nenhuma se perca no caminho.
Um filme que nos deixa a pensar
Apesar de algumas críticas que apontaram falhas no desenvolvimento do enredo, Sem Tempo mantém um encanto próprio. A sua força não está na complexidade do argumento, mas na simplicidade da metáfora — e na forma como esta ressoa em tempos de desigualdade crescente. Num mundo onde a expressão “tempo é dinheiro” nunca foi tão literal, Niccol lembra-nos que o tempo, mais do que uma moeda, é o que nos torna humanos.
O resultado é um filme elegante e provocador, que mistura ação, romance e filosofia numa só corrida contra o inevitável. Ao final, o espectador fica com a sensação de ter desperdiçado nada — apenas de ter gasto quase duas horas da melhor forma possível: a pensar no valor do próprio tempo.
Marque na sua agenda para quinta-feira 13 de Novembro às 22:30 no canal Cinemundo.
Criada por Vince Gilligan e protagonizada por Rhea Seehorn, Pluribus mistura ficção científica, filosofia e terror psicológico numa reflexão sobre o perigo de perder a individualidade em nome da harmonia.
A Apple TV volta a investir forte na ficção científica, e desta vez com uma aposta de peso: Vince Gilligan, o criador de Breaking Bad e Better Call Saul, regressa com uma nova série intrigante — Pluribus. Com Rhea Seehorn (a inesquecível Kim Wexler de Better Call Saul) no papel principal, a produção estreou com dois episódios que já estão a dar muito que falar.
À primeira vista, Pluribus parece uma história sobre um sinal vindo do espaço. Mas rapidamente percebemos que há muito mais por baixo da superfície: trata-se de uma reinterpretação moderna do clássico Invasion of the Body Snatchers(A Invasão dos Violadores de Corpos), de Jack Finney, obra que desde 1955 tem servido de metáfora para medos sociais e políticos — do comunismo à conformidade moderna.
O primeiro episódio, “We Is Us”, começa com um grupo de cientistas a investigar um sinal proveniente do planeta Kepler 22b. Pouco depois, descobre-se que o sinal transporta um vírus que liga as mentes humanas num único organismo coletivo — uma colmeia de bondade, empatia e amor… mas sem liberdade individual.
É aqui que entra Carol Sturka, interpretada por Rhea Seehorn, uma romancista de Albuquerque que, por motivos desconhecidos, é imune ao vírus. Num mundo onde todos se tornam versões perfeitas de si mesmos, Carol sente-se alienada e até perseguida por esta humanidade unida e sem conflito.
Nos diálogos com outros sobreviventes, Carol chama-lhes “Pod People” — uma referência direta aos seres sem emoção do Invasion of the Body Snatchers. E, tal como o Dr. Bennell (Kevin McCarthy) do filme original de 1956, Carol é a última linha de defesa contra um futuro onde todos pensam da mesma maneira.
Um espelho da nossa era
Pluribus não se limita a reciclar ideias antigas. Gilligan e a sua equipa transformam o conceito da “invasão” numa reflexão sobre o presente: vivemos mergulhados em redes sociais, algoritmos e bolhas ideológicas que nos moldam e aproximam, mas também nos tornam previsíveis, uniformes e — em muitos casos — emocionalmente anestesiados.
A série sugere uma pergunta inquietante: será que o sonho de uma humanidade harmoniosa, livre de conflito, não seria também o fim da nossa essência individual?
As semelhanças com o clássico são evidentes. Na versão de 1978, realizada por Philip Kaufman e com Leonard Nimoynum papel arrepiante, os invasores prometiam “um mundo sem medo, ansiedade ou ódio”. Em Pluribus, o “hive” promete um mundo de amor constante — mas o resultado é o mesmo: um planeta cheio de pessoas gentis, mas sem alma.
As cenas em que o “enxame humano” age em silêncio, movendo-se com precisão maquinal, evocam diretamente o final gelado do filme de 1978, quando San Francisco cai nas mãos dos duplicados alienígenas.
Rhea Seehorn brilha — e a crítica aplaude
Rhea Seehorn mostra mais uma vez a sua subtileza como atriz: a Carol que interpreta é vulnerável mas feroz, uma mulher comum a resistir à pressão da unanimidade. As críticas têm destacado a forma como Gilligan explora o contraste entre a empatia coletiva e o terror da perda de identidade — uma parábola perfeita para 2025, num mundo que confunde harmonia com obediência.
Com realização atmosférica e fotografia fria, Pluribus equilibra momentos de puro terror psicológico com uma sátira mordaz à nossa obsessão por “consenso” e “positividade”.
Uma reflexão sobre o pensamento único
Tal como Invasion of the Body Snatchers se tornou símbolo da paranoia anticomunista dos anos 50, Pluribus funciona como um alerta para o perigo do pensamento único contemporâneo. Num mundo saturado de opiniões polarizadas e discursos pré-fabricados, a série lembra-nos que o maior ato de rebeldia pode ser simplesmente continuar a pensar — e a sentir — por conta própria.
Gilligan, fiel à sua tradição, oferece uma ficção científica que é tanto espetáculo como comentário social, com humor negro e tensão crescente.
Os dois primeiros episódios de Pluribus já estão disponíveis na Apple TV+, com novos capítulos lançados todas as sextas-feiras. Uma série que promete deixar os espectadores divididos — mas a pensar.
A nova adaptação do clássico de Mary Shelley estreia hoje na Netflix — também em Portugal — e traz Oscar Isaac e Jacob Elordi num duelo entre criação e destruição, com um olhar feroz sobre os “deuses” da tecnologia moderna.
O monstro mais famoso da literatura volta a ganhar vida — literalmente — pelas mãos de Guillermo del Toro, e a crítica internacional já o descreve como “o Frankenstein que Mary Shelley escreveria se vivesse em 2025”. A aguardada adaptação, estreada hoje na Netflix (disponível também em Portugal), é uma leitura intensa e contemporânea sobre ciência sem ética, ego e responsabilidade, temas que o realizador de A Forma da Água domina como poucos.
Del Toro transporta o mito clássico para uma leitura moderna, onde Victor Frankenstein (interpretado por Oscar Isaac) surge como uma espécie de génio tecnológico obcecado com a criação — mais próximo de um Elon Musk ou Sam Altman do que de um cientista vitoriano. A crítica do Engadget foi incisiva: “O Frankenstein de Del Toro é o reflexo sombrio dos visionários do Vale do Silício — homens que gritam ‘Está vivo!’ sem se importarem com as consequências.”
Na história, o cientista reanima um corpo morto apenas porque pode, sem medir as implicações morais do ato. A criatura — interpretada com uma vulnerabilidade arrepiante por Jacob Elordi — nasce inocente, mas é rejeitada pelo seu criador, repetindo o ciclo de dor e abandono. A brutalidade física das cenas contrasta com a melancolia do olhar do monstro, num registo visual que é puro del Toro: luxo gótico, sangue e poesia em partes iguais.
⚡ Entre o terror e a tragédia
Desde a sua estreia mundial, Frankenstein tem sido descrito como uma das obras mais pessoais do realizador. Tal como confessou à NPR, Del Toro cresceu fascinado pelo monstro de 1931 — e este filme parece ser o culminar de uma obsessão de infância.
“Ver o monstro pela primeira vez foi uma epifania”, disse o realizador. “Fez-me compreender a minha fé, o meu amor pela vida e o que significa criar algo imperfeito.”
Críticos de publicações como o Variety e o The Guardian destacam o equilíbrio entre espetáculo visual e reflexão filosófica, com um elenco que “transcende a caricatura” — Oscar Isaac como o criador narcisista e Jacob Elordi como a criatura mais humana que o homem que a fez. A atriz Elizabeth, figura trágica e romântica, completa o triângulo emocional num filme que mistura horror, amor proibido e culpa.
🧠 Uma crítica ao mundo moderno
Mais do que um remake, Del Toro transforma Frankenstein num espelho da sociedade contemporânea: a busca incessante por inovação, o poder das corporações tecnológicas e a erosão da empatia humana.
“Porque é que Victor trouxe os mortos de volta à vida? Porque podia”, resume um dos críticos do IndieWire. “E essa é exatamente a lógica que hoje move o Vale do Silício.”
O filme é, assim, tanto um conto gótico como uma fábula sobre a arrogância da inteligência artificial e da biotecnologia, num mundo onde criar deixou de ser um ato de descoberta e passou a ser uma questão de domínio.
Quando questionado sobre o uso de ferramentas de IA no cinema, Del Toro respondeu à NPR sem hesitar:
Filmado com cenários grandiosos e uma fotografia deslumbrante, o novo Frankenstein tem tudo o que se espera de Del Toro: monstros com alma, beleza na escuridão e uma dor que é, paradoxalmente, profundamente humana.
Disponível a partir de hoje na Netflix, o filme já é considerado uma das estreias do ano — uma história intemporal que, duzentos anos depois, continua a perguntar: quem é o verdadeiro monstro — o criador ou a criatura?
Quarenta anos depois do clássico de terror que redefiniu o género, o realizador de culto deixou no ar a possibilidade de uma continuação — mas sem confirmações oficiais.
Os fãs de The Thing voltaram a ter motivos para arrepiar os cabelos — e não apenas por causa dos efeitos práticos lendários. John Carpenter, o realizador da obra-prima de 1982, deixou escapar durante a sua participação num evento da Fan Expo que uma sequela pode estar, de facto, em andamento.
Quando questionado sobre o tema, Carpenter respondeu de forma breve, mas suficiente para incendiar a imaginação dos fãs:
“Sim, estamos a trabalhar nisso agora. Não sei, veremos.”
A declaração, embora vaga, foi suficiente para gerar uma onda de especulação online. Ainda não há qualquer confirmação oficial de estúdio, elenco, argumento ou data de estreia — mas o simples facto de Carpenter reconhecer a existência de movimentações em torno do projeto já bastou para reacender o entusiasmo em torno de um dos filmes mais influentes da história do terror.
Um clássico que não envelhece
Lançado em 1982, The Thing (em Portugal, A Coisa) foi inicialmente recebido com frieza, mas com o tempo transformou-se num dos pilares do cinema de horror e ficção científica. Com Kurt Russell no papel principal, o filme combinava paranoia, isolamento e efeitos especiais práticos que ainda hoje impressionam — mérito do lendário Rob Bottin.
O seu ambiente claustrofóbico na Antártida e a constante dúvida sobre quem seria “a coisa” infiltrada no grupo de cientistas tornaram-no num ícone do terror psicológico e corporal. Em 2011, foi lançada uma prequela realizada por Matthijs van Heijningen Jr., que explorava os eventos que antecedem o filme original.
Um regresso possível… mas sem garantias
Apesar do entusiasmo gerado pelas palavras de Carpenter, o realizador não revelou mais detalhes. Não há, até ao momento, qualquer confirmação de que o projeto tenha luz verde, e a própria natureza ambígua da sua resposta (“veremos”) deixa espaço para dúvidas.
Mesmo assim, a possibilidade de Carpenter revisitar o universo de The Thing — nem que seja como consultor ou produtor executivo — é suficiente para fazer tremer os fãs de terror.
O novo capítulo da saga de ficção científica surpreende fãs e críticos com uma abordagem ousada: desta vez, o Predador é o herói.
A selva voltou a tremer — mas, desta vez, o monstro está do lado certo da luta. Predator: Badlands, o mais recente filme do realizador Dan Trachtenberg, chegou à crítica e já é apontado como uma das melhores surpresas do ano.
Com uma pontuação de 86% no Rotten Tomatoes, baseada em 51 críticas, o filme foi elogiado por reinventar a fórmula da saga e dar-lhe um toque inesperado de aventura, emoção e humor.
Segundo o consenso dos críticos, Badlands “mantém o sangue e a brutalidade característicos, mas adiciona coração e propósito ao caos.”
Na nova história, o centro da ação deixa de ser o humano em fuga. Aqui, o protagonista é Dek, um jovem Yautja (a espécie alienígena dos Predadores), interpretado por Dimitrius Schuster-Koloamatangi, que parte numa missão para provar o seu valor — e, curiosamente, salvar mais do que destruir.
Acompanhado por um androide meio-destruído (com ecos do universo Alien) e um companheiro não verbal que muitos já comparam a uma mascote de desenho animado, Dek enfrenta uma criatura ainda mais feroz do que qualquer caçada anterior.
“Trachtenberg arrisca e ganha — transforma o terror em aventura sem perder o impacto,” escreveu Eric Goldman, da MovieWeb, elogiando o filme como “uma direção nova e delirantemente divertida para a saga.”
Do terror à aventura pulp
Críticos do Bloody Disgusting destacam o tom “mais leve e aventureiro”, onde o ritmo e o humor lembram “um sábado de manhã com monstros e explosões.”
Já o The Film District descreveu Badlands como “o episódio piloto de um desenho animado clássico — mas no melhor sentido possível.”
Essa mudança de tom divide opiniões, mas é precisamente o que dá frescura ao filme: Badlands deixa de ser apenas um jogo de caça e sobrevivência e transforma-se numa odisseia espacial cheia de criaturas, ironia e adrenalina.
Nem todos ficaram convencidos
Nem todas as reações foram entusiásticas. O The Playlist classificou o filme como “uma mutação meio bem-sucedida”, argumentando que o realizador tenta “transcender o instinto primal da franquia” e, no processo, “esquece-se do que a tornou icónica.”
A Deadline também lamentou que o novo Predador pareça “ter perdido o mojo ameaçador”, considerando que as cenas de ação “nunca galvanizam como antes.”
Ainda assim, a maioria das críticas reconhece o mérito de arriscar num formato novo, algo que poucas franquias com quase quatro décadas de existência se atrevem a fazer.
A evolução do caçador
Depois do sucesso de Prey (2022), também de Dan Trachtenberg, Predator: Badlands confirma o realizador como o nome certo para revitalizar o universo. A crítica parece concordar: a saga encontrou uma nova forma de rugir — e, quem diria, até de emocionar.
Antes do regresso a John Wick e ao tão aguardado Constantine 2, Keanu Reeves mergulha num novo thriller de ação e ficção científica — e desta vez, o perigo vem do mar.
Keanu Reeves parece ter feito um pacto com o tempo — não só por continuar com a energia de um jovem herói de ação aos 61 anos, mas também porque o seu próximo filme o coloca literalmente preso num loop temporal. O projeto chama-se Shiver e junta o ator a Tim Miller, o realizador de Deadpool.
Segundo o The Hollywood Reporter, Shiver mistura o ritmo frenético de Edge of Tomorrow com a tensão claustrofóbica de The Shallows. Reeves interpreta um contrabandista que é traído durante uma operação no mar das Caraíbas, encontrando-se rapidamente cercado por cadáveres, mercenários e… tubarões famintos. O verdadeiro problema, contudo, é outro: o protagonista percebe que está preso num ciclo de morte e renascimento, condenado a reviver o mesmo pesadelo até descobrir como quebrar o ciclo.
O argumento é assinado por Ian Shorr (Infinite), e a produção reúne nomes de peso como Matthew Vaughn (Kingsman) e Aaron Ryder (Dumb Money, Pieces of a Woman). A Warner Bros. está prestes a fechar o acordo para distribuir o projeto, que promete ser um dos thrillers de ficção científica mais aguardados dos próximos tempos.
Esta não é a primeira colaboração entre Reeves e Tim Miller: os dois trabalharam juntos em Secret Level, a antologia animada da Prime Video que adaptava propriedades de videojogos icónicas. Nessa série, Reeves deu voz a um episódio inspirado em Armored Core, com uma performance que rapidamente se destacou como uma das mais elogiadas da produção.
Um Futuro Cheio de Keanu
Enquanto Shiver se prepara para levantar âncora, os fãs de Keanu Reeves têm muito mais por onde se entusiasmar. O ator regressa em breve ao universo John Wick com um quinto capítulo já confirmado, e continua envolvido na adaptação cinematográfica da sua banda desenhada BRZRKR.
E, claro, há ainda Constantine 2, a sequela do filme de 2005 que o reuniu ao realizador Francis Lawrence (The Hunger Games). Apesar da escassez de novidades, Reeves revelou recentemente que “chegou uma nova versão do argumento” e que a equipa está prestes a apresentá-la à Warner Bros.
James Gunn, co-presidente da DC Studios, confirmou que já discutiu o projeto com Reeves — embora ainda não tenha lido o guião. Tudo indica que Constantine 2 poderá integrar o selo Elseworlds da DC, ao lado de The Batman – Part II, mantendo assim uma ligação independente do novo universo partilhado de super-heróis.
Entre loops temporais, caçadores de demónios e assassinos de terno impecável, Keanu Reeves continua a provar que é o último verdadeiro herói de ação de Hollywood — e Shiver poderá ser a próxima prova disso.
A Netflix revelou o aguardado trailer da quinta e última temporada de Stranger Things, que estreia a 26 de novembro. A batalha final contra Vecna promete ser a mais épica — e a mais sombria — de todas.
Os fãs esperaram, especularam e teorizaram. Agora é oficial: o trailer da quinta temporada de Stranger Things já está entre nós, e promete uma despedida à altura da série que redefiniu o entretenimento televisivo dos últimos dez anos.
“Preparem-se, nerds. A batalha final contra Vecna está a chegar”, avisa a Netflix. E o aviso não é exagero. No vídeo, o grupo de Hawkins volta a reunir-se para enfrentar a ameaça mais devastadora que já surgiu — com a cidade sob quarentena militar e o mundo literalmente “virado do avesso”.
Desta vez, nada começa com bicicletas nem aulas de ciências. “Acho que o que torna esta temporada única é que começa um pouco no caos”, explicou Ross Duffer, co-criador da série, em entrevista ao Tudum. “Os nossos heróis perderam no final da quarta temporada. Normalmente, mostramos primeiro a vida normal deles e só depois introduzimos o elemento sobrenatural. Mas, neste caso, a história começa a todo o vapor desde o início.”
O irmão e co-criador Matt Duffer acrescentou: “Nada em Hawkins é normal agora. Com o confinamento, os movimentos deles são restritos e há câmaras tipo Big Brother em todo o lado.”
Um final épico, mas com o mesmo coração
O produtor executivo Shawn Levy, que também realiza dois episódios da nova temporada, garante que esta será a temporada mais ambiciosa em termos de escala e emoção.
“A ação está a um nível nunca visto, os efeitos visuais estão igualmente impressionantes, mas o núcleo emocional continua o mesmo”, disse Levy. “Mesmo à medida que a narrativa se torna mais épica, continua ancorada nestes personagens que adoramos.”
E é precisamente esse equilíbrio — entre o terror sobrenatural e a ternura das relações — que tem feito de Stranger Things um fenómeno global desde a sua estreia em 2016.
A Netflix confirmou que a despedida será dividida em três partes:
26 de novembro: Estreia dos primeiros quatro episódios;
26 de dezembro: Chegada de três novos episódios, como prenda de Natal para os fãs;
1 de janeiro de 2026: O episódio final, que encerrará definitivamente a saga.
A contagem decrescente para o adeus a Eleven, Mike, Dustin, Lucas e companhia já começou — e, se o trailer for indicação do que aí vem, Stranger Things 5 será o equivalente emocional a uma supernova: brilhante, devastadora e impossível de esquecer.
O veterano de Hollywood compara a receção fria de Tron: Ares à de clássicos como Heaven’s Gate, hoje vistos como obras-primas incompreendidas
Jeff Bridges regressou ao universo digital de Tron para interpretar novamente Kevin Flynn em Tron: Ares, e, apesar das expectativas comerciais não terem sido alcançadas, o ator mantém uma visão serena — e profundamente cinéfila — sobre o tema.
O novo capítulo da saga estreou nos cinemas a 10 de outubro, arrecadando 33,5 milhões de dólares nos EUA e 60,5 milhões a nível global no primeiro fim de semana. Os analistas esperavam uma abertura entre 40 e 45 milhões no mercado norte-americano e 80 a 90 milhões no total mundial. Com um orçamento estimado em 220 milhões, o filme poderá registar um prejuízo de mais de 130 milhões, caso a bilheteira global não ultrapasse os 160 milhões.
Mas Bridges, que interpreta Flynn desde o clássico de 1982, não se deixa impressionar pelos números. Em entrevista à Entertainment Weekly, o ator comentou:
“É curioso a forma como os filmes são recebidos no fim de semana de estreia. Lembro-me de Heaven’s Gate — foi considerado um fracasso total na altura, mas hoje muita gente o vê como uma espécie de obra-prima. É interessante como certas coisas ganham novo valor com o tempo.”
“As opiniões mudam — e ainda bem”
Bridges, sempre filosófico, comparou a relação com o cinema à experiência pessoal de rever um filme que inicialmente não apreciou:
“Às vezes, eu próprio não gosto de um filme à primeira. Passado um tempo, revejo-o e penso: ‘Mas o que é que eu estava a pensar?’ Como diria o Dude: ‘That’s just, like, your opinion, man.’”
O ator recorda que Heaven’s Gate, de Michael Cimino, onde também participou, foi retirado dos cinemas após críticas negativas e fracasso nas bilheteiras, mas com o passar dos anos ganhou estatuto de filme de culto — um lembrete de que a história nem sempre é escrita pelos números do fim de semana de estreia.
O legado de Tron e o futuro da saga
Tron: Ares, o terceiro capítulo da saga, marca o regresso do universo que revolucionou os efeitos visuais nos anos 80, com Jared Leto como protagonista, ao lado de Greta Lee, Evan Peters, Jodie Turner-Smith, Hasan Minhaj, Arturo Castro e Gillian Anderson.
Apesar da receção inicial aquém das expectativas, a saga Tron sempre viveu na fronteira entre o experimental e o mainstream — um território onde, historicamente, as ideias visionárias demoram a ser compreendidas.
Bridges parece perfeitamente ciente disso: para ele, a verdadeira medida de um filme não é a bilheteira, mas o tempo. E se há alguém que sabe esperar para ver o futuro, é Kevin Flynn — o homem que já viveu dentro do sistema.
O primeiro redefiniu o género, o segundo reinventou o cinema de acção e efeitos visuais. Depois disso, veio a decadência de uma marca genial criada por James Cameron e diluída em sequelas que esqueceram o essencial: uma boa história.
Há precisamente 41 anos, James Cameron apresentou ao mundo O Exterminador Implacável (The Terminator, 1984) — e mudou para sempre a ficção científica.
E há seis anos, com O Exterminador Implacável: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate, 2019), a saga tentava renascer das cinzas… apenas para confirmar o que muitos já sabiam: o que Cameron criou com mestria foi depois explorado até à exaustão.
💥 O início: o verdadeiro Sci-Fi
O primeiro Exterminador Implacável era um filme pequeno, quase independente, feito com apenas 6,4 milhões de dólares.
Mas o que Cameron fez com tão pouco dinheiro foi revolucionário.
A história — uma mistura de terror, suspense e ficção científica — era, na verdade, uma tragédia humana sobre amor, destino e sobrevivência.
Sarah Connor (Linda Hamilton) começa como uma simples empregada de mesa e termina como o símbolo da resistência humana.
O T-800 (Arnold Schwarzenegger) é a ameaça imparável que se tornou mito.
Mais do que um cyborg assassino, era uma reflexão sobre o medo do futuro e da tecnologia — e sobre o que significa ser humano.
Cameron transformou a ficção científica numa narrativa emocional e acessível. O filme fez 78 milhões de dólares em bilheteira, doze vezes o orçamento. E, acima de tudo, provou que a inteligência narrativa pode vencer o dinheiro e os efeitos especiais.
🤖 O Exterminador Implacável 2: quando a tecnologia se tornou arte
Sete anos depois, Cameron voltou e reinventou o cinema moderno.
O Exterminador Implacável 2: O Julgamento Final (Judgment Day, 1991) foi um marco absoluto, tanto em termos de efeitos visuais — com o lendário T-1000 de Robert Patrick — como de emoção cinematográfica.
Com um orçamento de 102 milhões de dólares, tornou-se o filme mais caro da história na altura.
E valeu cada cêntimo: arrecadou mais de 500 milhões de dólares, ganhou quatro Óscares e elevou a fasquia do que um blockbuster podia ser.
Mais importante ainda: o vilão tornou-se herói, e a relação entre o T-800 e John Connor criou uma das duplas mais icónicas do cinema.
A cena final — o polegar erguido a afundar-se no metal fundido — é, até hoje, um dos finais mais perfeitos da história do cinema.
Devia ter acabado ali. Mas, como sabemos, em Hollywood o que é perfeito raramente morre.
🔻 O declínio: quatro tentativas de ressuscitar uma lenda
Depois da despedida perfeita, quatro tentativas tentaram reviver a saga.
Terminator 3: Rise of the Machines (2003) copiou a fórmula do anterior, mas sem alma — e com frases de guião que nem o próprio Schwarzenegger conseguiu salvar (“Talk to the hand”… ainda dói).
Terminator Salvation (2009) tentou seguir sem Arnold, apostando no conflito homem vs. máquina, mas perdeu-se num tom genérico e numa narrativa vazia.
Terminator Genisys (2015) foi o fundo do poço: PG-13, confuso, sem identidade — um reboot que parecia um videojogo mal renderizado.
Terminator: Dark Fate (2019), já com Linda Hamilton de regresso, recapturou parte da alma de Cameron, mas chegou tarde demais.O público já estava cansado. E, injustamente, o filme tornou-se um dos maiores desastres de bilheteira da década.
⚙️ Uma saga de ouro que virou máquina de repetição
A verdade é simples: O Exterminador Implacável e O Julgamento Finalforam disruptivos.
O primeiro, pelo que contou — a ficção científica no seu estado mais puro, inteligente e humana.
O segundo, por como o contou — a inovação tecnológica, o ritmo, a emoção.
Mas o que veio depois foi apenas uma tentativa de espremer uma marca brilhantemente construída por Cameron.
O storytelling perdeu coerência, a mitologia encheu-se de buracos, e o que antes era cinema visionário transformou-se em fórmula.
James Cameron ainda é mencionado como estando a trabalhar num novo argumento, mas, a esta altura, nem o próprio criador parece capaz de reparar o dano causado por décadas de exploração sem propósito.
🔚 Onde ver em Portugal e no Brasil
Em Portugal, os fãs podem ver O Exterminador Implacável no SkyShowtime e O Exterminador Implacável: Destino Sombrio no Disney+.
No Brasil, ambos os filmes estão disponíveis no Star+, sendo que Dark Fate também pode ser alugado na Apple TV e na Amazon Prime Video.
Mas a verdadeira questão é outra: será que ainda queremos ver mais um Exterminador?
Talvez seja tempo de deixar a máquina descansar — e de recordar que, há 41 anos, a ficção científica ganhou alma… e que foi precisamente essa alma que os sucessores apagaram.
Mas a verdadeira questão é outra: será que ainda queremos ver mais um Exterminador?
Talvez seja tempo de deixar a máquina descansar — e de recordar que, há 41 anos, a ficção científica ganhou alma… e que foi precisamente essa alma que os sucessores apagaram.
O realizador de Baby Drive e promete uma versão mais fiel ao livro e revela que King teve a palavra final na escolha do protagonista
Durante o painel da New York Comic Con, o realizador Edgar Wright surpreendeu os fãs ao revelar novos detalhes sobre The Running Man, a sua aguardada adaptação do clássico distópico de Stephen King — e uma das estreias mais esperadas de 2025. O cineasta britânico subiu ao palco ao lado de Glen Powell (Hit Man, Top Gun: Maverick) e Lee Pace, revelando que o filme será “muito mais fiel ao livro” do que a versão de 1987 com Arnold Schwarzenegger.
Mas antes de Powell garantir o papel principal de Ben Richards, o ator passou por uma prova de fogo — literalmente nas mãos do “Mestre do Terror”.
“Quando o Edgar me ofereceu o papel, eu aceitei logo. Ele disse: ‘És o meu Ben Richards.’ E eu fiquei: ‘Vamos a isso!’”, contou Powell. “Mas depois o Edgar acrescentou: ‘Ah, só falta uma coisa — o Stephen King tem de aprovar-te.’”
O autor decidiu ver o filme Hit Man nessa mesma noite.
“Passei a noite inteira à espera que ele visse o filme e rezar para ainda ter o papel na manhã seguinte”, brincou o ator.
Felizmente, King aprovou a escolha — e até enviou um e-mail elogioso, descrevendo o guião como “mais fiel ao livro, o suficiente para manter os fãs satisfeitos e eu próprio entusiasmado”.
Edgar Wright quer filmar o livro que The Running Man merecia
O realizador, conhecido pelo seu estilo energético e visualmente inventivo, confessou que leu The Running Man na adolescência e ficou desiludido quando viu a versão com Schwarzenegger:
“Li o livro antes de ver o filme de 1987 e senti logo que havia uma parte enorme da história que nunca tinha sido adaptada. O meu objetivo não é refazer esse filme, mas criar algo diferente — uma adaptação realmente fiel ao livro de King.”
O novo The Running Man estreia nos cinemas a 14 de novembro de 2025, pela Paramount Pictures, e será uma mistura entre ficção científica, ação e crítica social, como a obra original de King (publicada em 1982 sob o pseudónimo Richard Bachman).
Glen Powell: “Ben Richards é o último dos homens comuns”
Sobre o papel, Powell descreveu Richards como um homem empurrado aos limites:
“Ele é o último ‘underdog’. Um tipo normal que enfrenta o sistema mais poderoso e opressivo que existe. Está frustrado, zangado, e só quer proteger a família num mundo que o impede de o fazer.”
Edgar Wright revelou que pediu ao ator para explorar um lado mais sombrio:
“Disse-lhe: ‘Preciso do Glen em mau humor’. E ele deu tudo. Este filme exigiu uma energia bruta, física e emocional.”
Lee Pace, que interpreta o caçador Evan McCone, descreveu o seu personagem como “um fantasma televisivo”, uma mistura de showman e assassino de reality show, com um visual “extravagante e ameaçador”.
Um mundo entre UFC e American Idol
Edgar Wright explicou que a nova versão de The Running Man vai expandir o universo para além da arena fechada do filme original.
“Desta vez, o jogo acontece no mundo real. É uma espécie de ‘caça ao homem’ à escala global — um jogo mortal de esconde-esconde.”
Inspirado por décadas de reality shows, o realizador descreve a estética como “uma fusão entre UFC e American Idol”, com um toque distópico. Entre os detalhes mais curiosos, o filme inclui um refrigerante e um cereal inventados por King e até uma nota de 100 dólares com o rosto de Schwarzenegger — algo que o próprio ator aprovou com bom humor:
“Ligámo-nos a ele para pedir autorização. Disse-lhe: ‘Fizemos de ti a nota de 100’. E ele respondeu: ‘Fico muito feliz com isso.’”
Um desafio épico: 168 cenários e três países
A rodagem decorreu em Bulgária, Escócia e mais um país não revelado, com 168 cenários diferentes, segundo Wright:
“Foi o projeto mais ambicioso que alguma vez realizei. Às vezes parecia que nós próprios estávamos a competir dentro do jogo.”
Além de Powell e Pace, o elenco inclui Colman Domingo, Michael Cera, Emilia Jones, Daniel Ezra, Martin Herlihye Katie O’Brien — uma combinação de talento jovem e veterano que promete dar nova vida ao universo distópico de King.
Um “amanhã diferente”, sem data no calendário
Apesar de o livro situar a história no ano 2025, Wright decidiu não indicar um ano no filme:
“Não queremos que o público se prenda a uma cronologia. Preferimos tratá-lo como um ‘amanhã diferente’ — algo próximo e assustadoramente possível.”
Com a bênção de Stephen King, o talento feroz de Glen Powell e a visão estilística de Edgar Wright, The Running Manpromete ser muito mais do que uma nova versão — será a corrida mais perigosa (e atual) que o cinema já viu.
Jared Leto lidera o novo capítulo visualmente deslumbrante da Disney sobre inteligência artificial, com banda sonora dos Nine Inch Nails
Depois de mais de uma década de espera, o universo digital de Tron regressa aos cinemas com Jared Leto como protagonista e Joachim Rønning na realização. O filme, intitulado Tron: Ares, teve a sua estreia mundial em Los Angeles, e as primeiras reações já começaram a inundar as redes sociais.
O consenso é quase unânime: um espetáculo visual arrebatador, especialmente em salas IMAX, e uma banda sonora explosiva assinada pelos vencedores dos Óscares Trent Reznor e Atticus Ross (Nine Inch Nails).
“O filme é uma experiência sensorial — como se Blade Runner e Daft Punk tivessem um filho cibernético”, escreveu um crítico norte-americano no X.
🤖 Um confronto entre humanidade e inteligência artificial
Tron: Ares traz uma narrativa mais atual do que nunca, centrada na relação entre humanos e IA. Leto interpreta Ares, um programa sofisticado que abandona o mundo digital para cumprir missões no mundo real.
O elenco inclui ainda Greta Lee, Evan Peters, Jodie Turner-Smith, Hasan Minhaj, Arturo Castro e Gillian Anderson, enquanto o veterano Jeff Bridges regressa ao papel icónico de Kevin Flynn, o criador do universo Tron.
🎥 Uma superprodução com assinatura nórdica
O realizador norueguês Joachim Rønning, conhecido por Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales e Maleficent: Mistress of Evil, conduz o projeto com um estilo visual que muitos descrevem como “hipnótico e imersivo”.
O argumento é de Jesse Wigutow, e a direção de fotografia ficou a cargo de Jeff Cronenweth, colaborador frequente de David Fincher (Fight Club, The Social Network). A combinação de iluminação neon, design retro-futurista e movimento fluido de câmara tem sido amplamente elogiada.
🎧 Daft Punk abriu o caminho — Nine Inch Nails acendem o fogo
Enquanto Tron: Legacy (2010) ficou na história pelo seu mítico álbum dos Daft Punk, Ares promete elevar a fasquia sonora com o toque industrial e atmosférico de Reznor e Ross.
Segundo quem já assistiu, a trilha sonora é “uma personagem por si só” — um pulsar constante de sintetizadores que amplifica cada cena de ação.
🕹️ A saga digital que se tornou culto
O primeiro Tron estreou em 1982, tornando-se um marco da história dos efeitos visuais e um fenómeno de culto, apesar do sucesso modesto nas bilheteiras. Tron: Legacy revitalizou o conceito com tecnologia de ponta e estética futurista. Agora, Ares surge como a fusão perfeita entre nostalgia e inovação, pronta a redefinir o que significa “ficção científica de estúdio”.
📅 Data de estreia
Tron: Ares chega aos cinemas a 10 de outubro, com estreia mundial em IMAX.
E se as primeiras reações forem indicativas, o público está prestes a mergulhar num novo tipo de realidade — onde o som, a luz e a emoção se fundem num só circuito elétrico. ⚡
Nos anos 70, o cinema americano estava pronto para uma revolução. O Código Hays já tinha caído, a segunda vaga do feminismo agitava a sociedade e as audiências estavam preparadas para ver mulheres muito para além do papel de “donzela em perigo”. Foi nesse caldo cultural que surgiu, em 1979, uma personagem improvável mas destinada à imortalidade: Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver em Alien – O 8.º Passageiro.
Curiosamente, Ripley nem estava escrita para ser uma mulher. O argumento de Dan O’Bannon e Ronald Shusett descrevia personagens neutras em termos de género. Mas quando Ridley Scott escolheu Weaver para o papel principal, o cinema ganhou a sua primeira grande heroína de ficção científica: profissional, pragmática, sem paciência para hierarquias inúteis — e, acima de tudo, sobrevivente.
Em Alien, Ripley é apresentada como mais uma entre a tripulação do Nostromo. Só a pouco e pouco percebemos que é ela quem vai carregar o filme às costas. Ao contrário das “scream queens” típicas do terror da altura, Ripley mantém a calma, organiza planos e insiste em protocolos de segurança que os colegas ignoram — com consequências fatais. O contraste com Lambert (Veronica Cartwright), em constante histeria, não podia ser mais claro: Ripley era a antítese da vítima.
O salto definitivo veio em 1986, com Aliens – O Reencontro Final. James Cameron não quis apenas repetir a fórmula: transformou Ripley numa verdadeira estrela de acção, mas sem lhe roubar a humanidade. Agora, para além de enfrentar os Xenomorfos, ela protege a pequena Newt e assume-se como mãe substituta. O clímax é um duelo de mães — Ripley contra a Rainha Alien — que resultou numa das frases mais icónicas do género: “Get away from her, you bitch!” Foi suficiente para garantir a Weaver uma inédita nomeação ao Óscar de Melhor Actriz num filme de ficção científica.
Ripley foi especial porque não dependia de músculos hipertrofiados como Rambo, nem de charme galáctico como Leia. Era uma profissional competente que tomava decisões sob pressão e não pedia desculpa por liderar. Esse retrato de liderança feminina, em plena era de figuras como Shirley Chisholm a lutar pela presidência dos EUA, era tão radical quanto necessário.
Nos anos seguintes, Weaver voltou em Alien³ (1992) e Alien: Ressurreição (1997), mas o impacto já não foi o mesmo. A cultura tinha mudado: as heroínas de acção já não eram novidade e o próprio franchise parecia perdido em debates filosóficos sobre androides e genética. Mesmo assim, cada nova tentativa — de Prometheus a Alien: Covenant — continuou a procurar, de forma quase obsessiva, recriar a fórmula Ripley com outras protagonistas femininas.
Hoje, o legado de Ripley sente-se em cada mulher que empunha uma arma no grande ecrã, de Sarah Connor a Furiosa, de Katniss Everdeen a Rey. Ela mostrou que uma heroína não precisa de superpoderes, apenas de inteligência, coragem e nervos de aço. E, para sempre, ficará a imagem de Sigourney Weaver, suada, determinada e absolutamente imbatível, a provar que o cinema de acção também podia — e devia — ser liderado por mulheres.
Quando James Cameron lançou O Extremador Implacável em 1984, a história do cinema de ficção científica mudou para sempre. A premissa de um ciborgue assassino vindo do futuro para alterar o presente foi um marco cultural que deu origem a uma franquia multimilionária, com filmes, séries, videojogos e até atrações temáticas.
Mas agora, quatro décadas depois, o próprio criador admite estar num beco criativo. Em conversa com a jornalista Christiane Amanpour, Cameron confessou que está com dificuldades em desenvolver um novo capítulo da saga:
“Cheguei a um ponto em que está a ser difícil escrever ficção científica. Recebi a tarefa de escrever uma nova história de Extremador Implacável, mas não consegui ir muito longe porque não sei o que dizer que não seja superado pela própria realidade.”
A ficção já não ultrapassa a realidade
Cameron sublinha que muitas das suas antigas previsões se tornaram realidade, mas que hoje a tecnologia avança a uma velocidade que rivaliza com a própria imaginação. “Vivemos atualmente na era da ficção científica. E a única saída é usar a nossa inteligência, a nossa curiosidade e a nossa tecnologia, sem deixar de compreender os cenários difíceis que enfrentamos”, acrescentou o realizador.
Para os fãs, isto significa que um novo Extremador Implacável está, no mínimo, a vários anos de distância.
Pandora acima das máquinas
O bloqueio criativo também se explica pelos múltiplos projetos que já ocupam o realizador. O grande foco de Cameron continua a ser o universo de Avatar, com a terceira parte prevista para dezembro e planos concretos para um quarto e até um quinto filme, caso o público mantenha o entusiasmo por Pandora.
Em contraste, o futuro sombrio de Extremador Implacável parece menos apelativo para o cineasta, que prefere explorar a ecologia, a espiritualidade e a ligação entre humanos e natureza no mundo azul que criou.
Hiroshima: um projeto de vida
Outro trabalho no horizonte é a adaptação de Ghosts of Hiroshima, de Charles Pellegrino, combinando ainda elementos do livro Last Train to Hiroshima. Cameron quer transformar estas narrativas num único filme, inspirado na história real de Tsutomu Yamaguchi, o homem que sobreviveu aos dois bombardeamentos atómicos.
“Este é um assunto sobre o qual quero fazer um filme, e um assunto com o qual venho a lutar há vários anos”, revelou Cameron. “Conheci Yamaguchi pouco antes de ele morrer. Ele deixou-me o legado da sua história, e não posso virar-lhe as costas.”
James Cameron encontra-se, assim, dividido entre dois mundos: um passado histórico que exige ser contado e um futuro fictício que se arrisca a ser ultrapassado pelo presente. Resta saber se o realizador conseguirá reinventar O Extremador Implacável para um público que já vive rodeado de inteligência artificial, drones e tecnologias outrora dignas apenas do cinema.
☀️ Em pleno Verão de 2007, quando as salas de cinema estavam invadidas por varinhas mágicas (Harry Potter e a Ordem da Fénix) e robôs gigantes (Transformers), estreava um pequeno — mas ambicioso — filme de ficção científica chamado Sunshine. Realizado por Danny Boyle e com um elenco de luxo que incluía Cillian Murphy, Michelle Yeoh, Chris Evans e Hiroyuki Sanada, este thriller espacial era tudo o que a época não pedia… e talvez por isso tenha sido ignorado.
Hoje, com o sucesso estrondoso de Oppenheimer, as vitórias nos Óscares para Murphy e Yeoh, e a iminente estreia de 28 Years Later, está na hora de olhar para Sunshine como ele merece: uma obra intensa, cerebral e visualmente deslumbrante que falhámos redondamente em reconhecer.
Uma Missão Suicida… e Poética
Sunshine apresenta-nos uma missão desesperada: um grupo de astronautas segue rumo ao Sol com o objectivo de o reanimar, lançando uma ogiva nuclear no seu núcleo para salvar a Terra de uma nova era glacial. Um plano tão grandioso quanto insano, servido com a tensão psicológica de 2001: Odisseia no Espaço e o peso filosófico de Solaris. A atmosfera claustrofóbica da nave é digna de Alien, com a tripulação a debater-se com decisões morais, conflitos internos… e um intruso assassino.
Sim, o terceiro acto transforma o drama existencialista num slasher espacial — e foi esse desvio que muitos críticos da altura não perdoaram. Mas a transição é menos abrupta do que parece: a tensão acumulada desde o início implodia inevitavelmente em violência. Se calhar, simplesmente não estávamos preparados.
Visualmente Brilhante (Literalmente)
Com um orçamento modesto para o género, Sunshine continua a impressionar pelos seus efeitos visuais, que capturam com realismo e beleza a ameaça constante do Sol. As imagens do nosso astro-rei a engolir o ecrã são de cortar a respiração, antecipando, de forma quase profética, a icónica sequência de Oppenheimer com Cillian Murphy a encarar o inferno nuclear.
Esse mesmo Murphy entrega aqui uma das suas performances mais contidas e inquietantes, muito antes de se tornar o rosto dos Peaky Blinders e de vencer um Óscar. Ao seu lado, Michelle Yeoh oferece uma presença calorosa mas firme, enquanto Chris Evans, longe do escudo do Capitão América, prova que sabe ser mais do que músculos e sarcasmo. O elenco completa-se com nomes como Rose Byrne, Benedict Wong e Mark Strong — uma galeria de talentos que hoje encheria qualquer cartaz.
O Filme Que Falhámos
A estreia de Sunshine no pico do Verão foi, no mínimo, suicida. Colocá-lo ao lado de blockbusters com brinquedos e feitiçaria foi uma sentença comercial. A sua vida pós-salas também não foi melhor: um lançamento em Blu-ray com falhas técnicas, uma presença quase nula nos serviços de streaming, e uma distribuição que o condenou ao esquecimento.
E, no entanto, Sunshine é um diamante bruto. Uma obra que merece — exige — ser redescoberta. Escrita por Alex Garland (que viria a realizar Ex Machina e Civil War), é uma reflexão madura sobre mortalidade, sacrifício e o lugar do ser humano no cosmos. O seu final, debatido até hoje, é prova de que o filme se arrisca, desafia e mexe com quem o vê.
Com Danny Boyle a regressar ao terror com 28 Years Later, e com o reconhecimento tardio dos seus actores principais, talvez este seja o momento certo para Sunshine renascer das cinzas. Porque o tempo passa, mas as boas ideias (e os grandes filmes) merecem uma segunda oportunidade de brilhar.
Sunshine – Missão Solar está disponível em streaming para os assinantes do Disney +